{"id":40,"date":"2018-08-17T20:18:47","date_gmt":"2018-08-17T20:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ranchofolcloricosampaense.com\/?page_id=40"},"modified":"2026-10-13T01:36:38","modified_gmt":"2026-10-13T01:36:38","slug":"usos-e-costumes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ranchofolcloricosampaense.com\/index.php\/usos-e-costumes\/","title":{"rendered":"Usos e Costumes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer conhecimento de alguns usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Apenas os mais idosos se lembrarem,&nbsp;&nbsp;no entanto, est\u00e1 a come\u00e7ar-se a retomar as antigas tradi\u00e7\u00f5es que quase esquecidas s\u00e3o ainda dignas de apre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Resumo dos principais itens que se seguem:&nbsp;<strong>Cantares das Janeiras; Dia dos Reis; Carnaval; Quarta-feira de Cinzas; Domingo de Ramos; Visita Pascal \/ P\u00e1scoa; S\u00e3o Jo\u00e3o; Quinta-Feira de Ascens\u00e3o; Dia de Santa Cruz; Romarias; Medicina;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"169\" src=\"https:\/\/ranchofolcloricosampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/usos_janeiras-300x169.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-69\" style=\"aspect-ratio:1.7751479289940828;width:300px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ranchofolcloricosampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/usos_janeiras-300x169.png 300w, https:\/\/ranchofolcloricosampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/usos_janeiras.png 391w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Os pitorescos&nbsp;<strong>Cantares das Janeiras<\/strong>&nbsp;s\u00e3o constitu\u00eddos, de dia, por crian\u00e7as que andam de porta em porta com um saquito a pedir as Janeiras, \u00c0 noite, por adultos que, com v\u00e1rios instrumentos, cantavam assim:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Estas casas s\u00e3o bem altas, forradinhas de corti\u00e7a, venham dar as Janeiras, ou de carne ou de chouri\u00e7a; Levante-se minha senhora, dessa cadeira de prata, venha dar as janeirinhas, que est\u00e1 um frio que mata; Estas casas s\u00e3o bem altas, forradinhas de papel, venha das as janeirinhas, em louvor de S\u00e3o Miguel&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Quando os donos da casa eram generosos e tinham correspondido ao pedido, estes agradeciam com uma quadra em que toda a fam\u00edlia era contemplada:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Esta fam\u00edlia sagrada, recebeu-nos com alegria, Deus lhe d\u00ea muita sa\u00fade, pedimos \u00e0 Virgem Maria&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Mas, se pelo contr\u00e1rio as donas da casa n\u00e3o davam nada, ent\u00e3o a&nbsp;despedida era diferente e um pouco mal educada:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Telinca martelo, torna a telincar, s\u00e3o filhos da puxxx, n\u00e3o nos querem dar&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Logo a seguir \u00e0s Janeiras vem o&nbsp;<strong>Dia dos Reis,&nbsp;<\/strong>todo o povo tinha muito respeito por este dia que era considerado como feriado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Diziam os antigos que neste dia o diabo andava tr\u00eas horas fora do inferno e, com receio que lhes sucedesse algum mal ningu\u00e9m trabalhava nem se afastavam da povoa\u00e7\u00e3o. Faziam junto do adro da igreja um pequeno bailarico, as crian\u00e7as voltavam com as saquitas a pedir os reizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ainda o&nbsp;<strong>Carnaval<\/strong>&nbsp;vinha longe e j\u00e1 nesta aldeia tinham por tradi\u00e7\u00e3o deitar as \u201cpaneladas\u201d que consistia em deitar para dentro das casas os para os seus degraus c\u00e2ntaros de barro com bugalhos, areia feij\u00f5es, milho, enfim, o que lhes lembrava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Diziam os antigos que as comadres sempre muito lambareiras, mas s\u00f3 o n\u00e3o eram pelo Carnaval, pois os compadres ganhavam-lhes. Assim, na quinta-feira dos compadres, estes visitavam-se cantando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Quinta-feira dos compadres, n\u00f3s os vimos visitar, diga l\u00e1, senhor compadre, o que tem para nos dar; \u00d3 vira, \u00f3 vira, o meu compadrinho, venha o presunto, e o copo do vinho;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Na semana seguinte cabia a vez \u00e0s comadres, que se vestiam de Entrudo e se visitavam cantando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;\u00c9 hoje quinta-feira; quinta-feira das comadres, s\u00f3 as v\u00eam visitar, quem delas tem saudades&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Propriamente no Carnaval os bailes eram feitos no largo principal da freguesia, velhos e novos cantavam e dan\u00e7avam ao som de um velho harm\u00f3nico ou de uma concertina. Outras vezes dan\u00e7avam ao som das vozes dos rapazes e das raparigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Na&nbsp;<strong>Quarta-feira de Cinzas<\/strong>&nbsp;era queimado o Entrudo representado por um boneco de palha com bombas dentro (era um autentico funeral). \u00c0 tarde, um grupo de rapazes, andavam de casa em casa, com um grande funil, a anunciar a hora do enterro. \u00c0 noite, toda a gente se juntava no lugar onde o palha\u00e7o se encontrava, Depois, um rapaz vestido de padre e outro de sacrist\u00e3o, davam inicio ao funeral e todo o povo dava a volta \u00e0 rua gritando que lhes tinha morrido o pai da fartura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Em seguida, o palha\u00e7o era queimado ouvindo-se o rebentamento das bombas. No final, era lido o testamento por ele deixado, com piadas a determinadas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Subsistia tamb\u00e9m uma tradi\u00e7\u00e3o curiosa: A anteceder a&nbsp;<strong>P\u00e1scoa,&nbsp;<\/strong>durante a Quaresma e depois da ceia, vozes timbradas lembravam ao homem a sua condi\u00e7\u00e3o de mortal e de pecador, cantando a Encomenda\u00e7\u00e3o \u00e0s Almas. Era um costume que consistia em grupos de pessoas que iam at\u00e9 junto das alminhas que se erguem junto dos caminhos antigos lembrando aos viandantes os seus deveres para com Deus ou para aqueles que os precederam na terra, cantando ou rezando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Recordai que estais dormindo, nesse sono em que estais, recordai das vossas m\u00e3es, e tamb\u00e9m dos vossos pais; Recordai que estais dormindo, nesse sono t\u00e3o profundo, lembrai-vos das benditas almas, que l\u00e1 est\u00e3o no outro mundo&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m era essa a tradi\u00e7\u00e3o os antigos cantarem o toque das trindades ao meio-dia e p\u00f4r do sol, toda a gente parava e guardavam uns momentos de sil\u00eancio em louvor da Sant\u00edssima Trindade. Presentemente j\u00e1 n\u00e3o tem grande aceita\u00e7\u00e3o nas camadas mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Umas das tradi\u00e7\u00f5es mais alegre da nossa aldeia \u00e9 a de&nbsp;<strong>Domingo da Paix\u00e3o<\/strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>Domingo de Ramos<\/strong>, em que praticamente todo o povo vai \u00e0 missa benzer o louro, alecrim e algumas hastes de oliveira, para queimarem durante o ano quando h\u00e1 trovoada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">No Domingo seguinte temos a&nbsp;<strong>Visita Pascal&nbsp;<\/strong>em que o Senhor Padre visita com uma cruz todas as fam\u00edlias aspergindo \u00e1gua benta e saudando todos os familiares e vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Depois, os Santos Populares integram h\u00e1bitos e cren\u00e7as religiosas, assim:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Pelo&nbsp;<strong>S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong>,no largo da igreja iluminado por um gas\u00f3metro (candeeiro com carbureto) dan\u00e7avam-se todas as melodias que se cantavam nos campos pelas sachas do milho e &#8220;segadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Dan\u00e7avam o &#8220;repimpim&#8221; e a ponteada, o vira de quatro dan\u00e7ando em cruz, o fado mandado pelo homem mais amigo e reinadio. Dava-se a volta \u00e0 freguesia com o harm\u00f3nico a tocar e o povo a dan\u00e7ar. De entre outros versos, um deles era:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;S. Jo\u00e3o era bom Santo, se n\u00e3o fosse t\u00e3o maroto, levava as mo\u00e7as p\u2019ra fonte, levava quatro e vinham oito&#8221;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ainda pelo S\u00e3o Jo\u00e3o, as Sortes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A&nbsp;<em>Sorte dos Papelinhos<\/em>:&nbsp;consiste fundamentalmente em se escrever em cada um de tr\u00eas papelinhos o nome de um entre tr\u00eas rapazes preferidos; depois, esses papelinhos colocam-se sobre o travesseiro, \u00e0 meia-noite do S. Jo\u00e3o e na manh\u00e3 seguinte tira-se ao acaso um deles, que indica o nome do pretenso marido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A&nbsp;<em>Sorte do Ovo<\/em>:&nbsp;consiste em se partir um ovo \u00e0 meia-noite de S. Jo\u00e3o, dentro de um copo de \u00e1gua que se deixa ao relento; na manh\u00e3 seguinte, antes de nascer o sol, observa-se as formas que as claras tomaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A&nbsp;<em>Sorte do Bochecho<\/em>:&nbsp;\u00e0&nbsp;meia-noite da v\u00e9spera de S. Jo\u00e3o, a rapariga lan\u00e7a um bochecho de \u00e1gua \u00e0 rua e o primeiro nome de homem que ouvir \u00e9 o do futuro marido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Quinta-feira de Ascens\u00e3o&nbsp;<\/strong>era mais um dos dias aguardados pelo povo desta localidade. Era um feriado em que os antigos nem sequer faziam comer nesse dia, era feito no dia anterior. Diziam os antigos que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Se os passarinhos soubessem<\/em><em>, q<\/em><em>ue era Quinta-feira&nbsp;<\/em><em>d\u2019Ascens\u00e3o<\/em><em>, n<\/em><em>em sa\u00edam dos seus ninhos<\/em><em>, n<\/em><em>em punham os p\u00e9s no ch\u00e3o<\/em><em>&#8220;;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">As pessoas diziam que nesse dia as ervinhas estavam bentas e apanhavam as ervas para tomarem durante o ano. Era tamb\u00e9m tradi\u00e7\u00e3o apanharem o ramo&nbsp;&nbsp;a que chamavam&nbsp;<strong>espiga,<\/strong>&nbsp;que simbolizava a fertilidade dos campos e a abund\u00e2ncia do p\u00e3o macio que se conserva sem ganhar bolor at\u00e9 igual data do ano pr\u00f3ximo em que \u00e0 mesma hora se come.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Nesta aldeia havia tamb\u00e9m o costume que devia ter a sua origem em ritos pag\u00e3os campestres, que o cristianismo manteve com a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos campos todos os anos a 3 de Maio,&nbsp;<strong>Dia de Santa Cruz.&nbsp;<\/strong>\u00c9 um dia em que todas as pessoas fazem grandes cruzes com alecrim e louro e v\u00e3o colocar nos terrenos que cultivam, para que Santa B\u00e1rbara lhes d\u00ea boas colheitas e as livre de todas as intemp\u00e9ries.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Desenvolveu-se um conjunto de usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es que constituem um interessante patrim\u00f3nio etnogr\u00e1fico j\u00e1 n\u00e3o muito vulgar. Muitos deles estavam intimamente ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica local de base agr\u00edcola. Era o caso da cava das terras e sachas do milho; as vindimas, as desfolhadas nocturnas. Mas a curiosidade destas tradi\u00e7\u00f5es \u00e9 que se faziam por troca ou seja, volunt\u00e1rio e de ajuda m\u00fatua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">As&nbsp;<strong>romarias<\/strong>&nbsp;s\u00e3o uma das formas mais ricas de tradi\u00e7\u00e3o local. Elas s\u00e3o, fundamentalmente, celebra\u00e7\u00f5es religiosas em honra de qualquer santo ou invoca\u00e7\u00e3o divina, patronos de uma localidade ou de um santu\u00e1rio, compreendendo missa de festa, esta com serm\u00e3o e pr\u00e1tica e, a maior parte das vezes com prociss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">As romarias pressup\u00f5em uma mordomia, confraria ou comiss\u00e3o, constitu\u00edda segundo regras costumeiras, que tem a seu cargo a conserva\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio e organiza\u00e7\u00e3o da festa. Nesse dia, os seus membros, de opa, zelam pela ordem e, \u00e0 entrada do templo recebem os \u00f3bulos (promessas) e d\u00e3o os registos com as imagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">As romarias s\u00e3o em regra, precedidas de um pedit\u00f3rio a cargo dos mordomos e que t\u00eam lugar normalmente ao domingos. Os&nbsp;&nbsp;donativos em esp\u00e9cie e dinheiro s\u00e3o recolhidos pelos mordomos e por outras pessoas por estes convidados para tal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A riqueza etnogr\u00e1fica Sampaense compreende tamb\u00e9m festas e romarias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A 27 de Junho comemora-se a festa em honra do&nbsp;<strong>M\u00e1rtir S. Pel\u00e1gio<\/strong>onde derivou o nome da povoa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma festa praticamente s\u00f3 para a povoa\u00e7\u00e3o \u00e9 a festa mais antiga da&nbsp;&nbsp;povoa\u00e7\u00e3o que se optou por&nbsp; realizar no \u00faltimo domingo de Junho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">No m\u00eas de Agosto \u00e9 de salientar a&nbsp;<strong>Romaria da Nossa Senhora dos Milagres<\/strong>, no dia 15 de Agosto, que faz afluir \u00e0 velha din\u00e2mica muitas centenas de romeiros de todas as redondezas. Houve anos em que ganhou o titulo da melhor romaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">A romaria come\u00e7ava com uma novena e prega\u00e7\u00e3o. No dia que antecedia a&nbsp;&nbsp;romaria, havia uma prociss\u00e3o nocturna com a imagem da Senhora, fazia-se \u00e0 luz de velas levadas pelos acompanhantes, o que dava um efeito encantador. Na maioria das ruas por onde a imagem passava as casas e muros encontrava-se tamb\u00e9m cheios de velas a iluminarem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">No dia quinze toda a povoa\u00e7\u00e3o e vizinhan\u00e7as acordam&nbsp;&nbsp;ao som de uma estrondosa alvorada. Logo pela manh\u00e3 chega a tradicional filarm\u00f3nica que acompanha com os seus c\u00e2nticos a missa da festa, \u00e0 tarde h\u00e1 a prociss\u00e3o em que v\u00e3o in\u00fameros anjinhos e foga\u00e7as e estas leiloadas no final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">\u00c0 noite h\u00e1 o tradicional arraial. At\u00e9 uma certa hora com a banda filarm\u00f3nica e depois com um conjunto musical. \u00c0 uma hora da manh\u00e3 \u00e9 estoirado um grandioso fogo de artificio, o maior dos concelhos lim\u00edtrofes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Esta pequena povoa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no dia&nbsp;<strong>1 de Novembro<\/strong>&nbsp;tem por h\u00e1bito o culto dos mortos. Nesse dia, todos os familiares lhe v\u00e3o prestar homenagem enfeitando de uma maneira especial as suas campas e pondo velas e luzes de azeite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo vem a tradi\u00e7\u00e3o da&nbsp;<strong>fogueira do Natal<\/strong>. Dois ou tr\u00eas dias antes v\u00e3o \u00e0s matas buscar cepos. Junto ao adro da igreja vai ficando um monte de cepos que se ascendem na noite de Natal e que costumam ficar a arder at\u00e9 ao inicio do Ano Novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ainda no&nbsp;dia de Natal, s\u00e3o cantados na missa c\u00e2nticos dedicados ao Menino Jesus e toda a gente o vai saudar com um beijo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Usos e Costumes na&nbsp;<strong>Medicina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Subsiste no local, quase acabado, um ritual m\u00e1gico de medicina supersticiosa, traduzindo em aplica\u00e7\u00f5es como a cura da pe\u00e7onha, inflama\u00e7\u00e3o dermatol\u00f3gica que procura eliminar-se com azeite, sal e palhas (palha de alho), enquanto pronunciam as seguintes palavras julgadas capazes de poder&nbsp;&nbsp;intervir no processo terap\u00eautico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Eu te mato,<\/em><em>eu te corto<\/em><em>, sejas cobra ou&nbsp;<\/em><em>cobr\u00e3o, lagarto,&nbsp;<\/em><em>lagart\u00e3o, aranha ou aranh\u00e3o, ou bicho de na\u00e7\u00e3o, eu te corto a cabe\u00e7a, para que mais n\u00e3o cres\u00e7a!&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m para curar um&nbsp;<strong>crian\u00e7a \u201caguda\u201d<\/strong>, um pessoa amiga dever\u00e1 tirar um peda\u00e7o de massa de nove p\u00e3es (antes de irem ao forno) e com os nove bocadinhos se faz um bolo que se d\u00e1 \u00e0 crian\u00e7a sem que ningu\u00e9m veja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Os seus habitantes s\u00e3o gentes simples que ainda usam ervas e ch\u00e1s para curar doen\u00e7as e queimam o louro e o alecrim bento, em dias de&nbsp;<strong>trovoada<\/strong>,&nbsp;&nbsp;enquanto se reza a ora\u00e7\u00e3o a Santa B\u00e1rbara:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Santa B\u00e1rbara se levantou<\/em><em>, seus sapatinhos cal\u00e7ou, e ao caminho se deitou, Jesus Cristo encontrou, &#8211; Santa B\u00e1rbara, onde vais? &#8211; Eu com o Senhor irei, &#8211; Tu comigo n\u00e3o ir\u00e1s, nesta terra ficar\u00e1s, a afastar as trovoadas, que no c\u00e9u andam armadas, p&#8217;ra onde n\u00e3o haja eira nem beira, nem p\u00e9 de figueira, nem alminha crist\u00e3, nem novelinho de l\u00e3&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Para endireitar a&nbsp;<strong>espinhela<\/strong>&nbsp;dizia-se:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Enquanto o padre se veste e reveste,<\/em><em>&nbsp;e<\/em><em>&nbsp;sobe ao altar a espinhela deste corpo, v\u00e1 ao seu lugar&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Estas&nbsp;&nbsp;palavras s\u00e3o ditas e ao mesmo tempo est\u00e3o a fazer-se pequeninas cruzes com azeite nos pulsos tr\u00eas vezes. No final, em louvor da Nossa Senhora reza-se uma Salv\u00e9 Rainha. O bra\u00e7o que est\u00e1 mais curto&nbsp;&nbsp;vai-se puxando a cruz que se est\u00e1 a fazer por cima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Para o&nbsp;<strong>mal de inveja<\/strong>&nbsp;dizia-se esta reza tr\u00eas vezes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>&#8220;<\/em><em>Tens cabrito ou cabr\u00e3o, eu te corto as pernas, a raiz e o cora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer conhecimento de alguns usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Apenas os mais idosos se lembrarem,&nbsp;&nbsp;no entanto, est\u00e1 a come\u00e7ar-se a retomar as antigas tradi\u00e7\u00f5es que quase esquecidas s\u00e3o ainda dignas de apre\u00e7o. 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