S.R.L. SampaenseJ. F. de São Paio de GramaçosMunicípio de Oliveira do HospitalFederação Portuguesa de Folclore
 
 
A nossa região
ORIGEM
Ao fundar-se a monarquia portuguesa, havia em terras de Seia, três léguas ao ocidente da Serra da Estrela, um pequeno agrupamento de casais, na suave encosta ocidental duma colina, coroada por uma pequena e devota igreja dedicada, como numerosas outras que se construíram na Península Hispânica durante os Séculos X e XI, em honra do celebérrimo e então popularíssimo Mártir, nosso patrício, São Pelágio ou São Paio, que aos treze anos e meio de idade trocou, em defesa da fé e da castidade, as pompas e grandezas do mundo pela palma e coroa do martírio, sofrido na cidade de Córdova.

Em Junho de 1258, quando aqui se realizaram as inquirições ordenadas por El-rei D. Afonso III, tinha, por herança de seus pais e avô, o padroeiro eclesiástico desta igreja de São Paio, o pretor ou alcaide da Covilhã Estêvão Joanes, que nesta região possuía muitas propriedades e senhorios. Era irmão (ou pelo menos primo co-irmão) de Domingos Joanes, o cavaleiro que, com a sua mulher Domingas Sabachais, descansam em ricos mausoléus góticos na sua capela sepulcral chamada “Dos Ferreiros”, contígua à igreja matriz de Oliveira do Hospital. Estêvão Joanes e Domingos Joanes eram netos de D. Chavão “Domnus Flavianos”, rico homem das terras de Seia, isto é, governador deste distrito ou circunscrição, representante nele da pessoa d'el-rei, o qual, além de muitas outras terras por estas redondezas, possuía em Gramaços, lugar vizinho de São Paio, uma grande herdade, sua residência habitual.
Essa antiga povoação de São Paio de Gramaços é hoje situada um pouco a norte do assento primitivo, para onde se mudou quando findava a idade média, permanecendo entretanto a igreja no primitivo local, agora afastada do povo. Acha-se esta freguesia integrada no concelho de Oliveira do Hospital, distrito administrativo e bispado de Coimbra.

SITUAÇÃO

Situada essencialmente entre o Mondego e o Alva, a região que compreende o nosso concelho, ou seja, Oliveira do Hospital, embora pertencendo ao distrito de Coimbra, é retintamente beiroa.
O concelho de Oliveira do Hospital, em especial do centro para o sul, apresenta-se mais montanhosa, chegando a atingir os 1.242 metros no Colcurinho.
Das alturas deste e ainda Aveleira, Mendacha e Chama, descem os vales poderosamente cavados pelo Alva e o Alvôco ou pelas ribeiras afluentes e ornamentadas de uma verdura deslumbrante e de uma paisagem inesquecível.
Muitos foram os municípios que outrora tiveram autonomia nesta região. Mas quase todos totalmente extintos no século passado, nada resta hoje das velhas glórias além dos orgulhosos pelourinhos e uma outra casa de câmara e prisão. Os amantes destas poderão apreciar neste itinerário os pelourinhos de: Oliveira do Hospital; Lagos da Beira; Bobadela; Nogueira do Cravo; Lourosa; Penalva de Alva, Avô e Seixo da Beira.
O povo dedica-se sobretudo aos trabalhos agrícolas, pois o solo apesar de montanhoso é muito fértil, produzindo o milho, vinho e azeitona, além das batatas e pomares.

MONUMENTOS
Igreja Paroquial /Matriz - O Titular é São Pelágio. Dizem que foi mudada de sitio fora da povoação, frontaria com porta e janela do coro de vãos rectangulares de friso e cornija, do séc. XVII e XVIII. Torre à direita, de dois corpos, esquinas em linha ondulada, remate de balaustrada e cobertura bolbosa e quadrada; obra do final do séc. XVIII ou começo do seguinte. Tectos em apainelados simples. Três retábulos. O principal de duas colunas e camarim, é da segunda metade do séc. XVIII. Contém uma tela secundária, com o martírio de São Pelágio, assinada: Anto Je. Gonçalves. Pintou em Coimbra em Maio de 1856. Há nele esculturas de pedra: São Pelágio ou Paio, da segunda metade do séc. XV, Virgem com o Menino (da Graça) dos séc. XVI e XVII. Existe ainda Senhora do Rosário, pedra do séc. XVI; S. António de Madeira do séc. XVII e XVIII, regular. Na Capela Mor, em rodapé, encontram-se alguns azulejos sevilhanos, do séc. XVI, mas colocados modernamente.


Capela da Nossa Senhora dos Milagres - Moderna, secundária, relativamente ampla, imitando os tipos regionais setecentistas. Segundo largo letreiro latino foi começada em 1850, aumentada em 1867 e decorada em 1879. Mostra a data de 1851 na porta principal e a de 1867 na sacristia.
O altar-mor e colaterais são obra da região, imitando em certo modo os do século anterior. Esculturas correntes na época.


Capela do Cemitério - Dedicada ao Bom Jesus Redentor. Foi construída em 1909 tendo tido o patrocínio dum professor da Faculdade de Teologia, foram ali levadas diversas obras dos colégios conventuais de Coimbra. Tem aptidão em um agradável arranjo, pois o seu projecto e acomodação foi feito segundo a direcção do professor António Augusto Gonçalves. No Retábulo único está um grande crucifixo de madeira, executado por aquele mesmo professor. Nas ombreiras do cruzeiro, em mísulas, levantam-se grandes esculturas, originárias do Colégio de S. Bento mas idas da Sé Velha, S. Gregório Magno e Santo Amaro, do fim do séc. XVII, regulares.
Pequeno cadeiral para os ofícios fúnebres, do séc. XVIII.
A Capela Mor é revestida de azulejos policromos, em tipo de caixilharia recruzetada encerrando florões, o corpo de azulejos azuis e rosas espalmadas. Sob a Capela Mor ficou uma cripta, jazigo mandado construir pelo Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos. Revestem as paredes azulejos do referido tipo de caixilhos.
O Retábulo de pedra com baixo relevo de Calcário, foi executado por João Machado pai; os brasões da família e do bispo que o sagrou. No mesmo cemitério há um nicho de almas, de pilastras, datado de 1787.

INDIVIDUALIDADES DE PRESTÍGIO
Teve esta encantadora aldeiazinha de S. Paio de Gramaços um filho ilustre que muito honrou no campo das letras: Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, Nasceu em 1 de Junho de 1860. Sacerdote, Doutor em Teologia e Letras pela Universidade de Coimbra, onde largos anos ensinou como sábio e mestre; primeiro Director da Faculdade de Letras daquela Universidade, Liturgista, Filósofo, Canonista, Arqueólogo, Historiador e Primeiro Presidente da Academia Portuguesa da História.
Deixou vasta obra literária. Morreu na cidade de Coimbra no dia 2 de Setembro de 1941.

 

 

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